Mais de 80 pessoas participaram do Correndo por eles que contou a participação de crianças da rede municipal de ensino de Petrópolis

Campeonato de jiu-jitsu, capoeira, cicloturismo, montanhismo, música, atividades pedagógicas e muitas outras atividades esportivas e culturais marcaram o domingo (15), último dia do evento “Vira Petrópolis”, que acontece desde sexta-feira (13), nas Praças da Liberdade, Visconde de Mauá (Praça da Águia) e Duque de Caxias (Praça do Skate). Cerca de 80 pessoas, entre cadeirantes, deficientes de baixa visão, surdos familiares e simpatizantes, participaram da “Correndo por Eles” e outras 100 pessoas aderiram ao passeio ciclístico, eventos que fazem parte do "Vira Petrópolis".

“Esporte é saúde, por isso, ações como essa precisam ser sempre incentivadas. Todas as atividades aconteceram com praças lotadas. O tempo ajudou e a população aderiu ao evento, que passará a fazer parte do nosso calendário. Além de promover a saúde, nosso objetivo é valorizar nossos talentos dos diversificados setores culturais locais”, disse o prefeito Rubens Bomtempo.

Para os organizadores do evento o “Vira Petrópolis” tem o intuito de, além de ser solidário às vítimas das chuvas na cidade, dar continuidade e fortalecer as atividades de Lazer, Esportes, Artes e Cultura. Além de promover a inclusão, a solidariedade e a sustentabilidade. Ao todo, 35 PCD’s, entre crianças, adolescentes e atletas da Filipe Bernardes Assessoria de Corrida, participaram da “Correndo por Eles”.

“Tivemos atividades de yoga, futebol de botão, treinamento funcional, e-games e muitas outras atividades, como o montanhismo em seis picos realizado pelo CEP, que hoje, inclusive, está fazendo aniversário . Além da adesão da população nos espaços públicos, tivemos mais de um milhão de acessos nas transmissões ao vivo que realizamos. Foi um grande sucesso”, disse o subsecretário de Esportes, André Fernandes.

“Foi o primeiro evento de Corrida para Deficientes em Petrópolis. Para nós foi um sucesso total, pois conseguimos tirar as pessoas de casa em um domingo gelado, e mostrar para Petrópolis que apesar de termos alguma dificuldade somos iguais a todo cidadão e isso é inclusão!”, disse o conselheiro da Comissão Municipal da Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Chen Li Cheng, um dos organizadores da corrida.

Trabalho visa aprimorar sistema de monitoramento para a geração de indicadores mais precisos, que possibilitem atuação antecipada em caso de emergência

A Secretaria da Defesa Civil recebeu as equipes da Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) para análise de áreas afetadas pelas chuvas de fevereiro e março. O objetivo foi entender os perfis dos deslizamentos registrados, com foco no aprimoramento de métodos e tecnologias para o monitoramento da cidade. O Morro da Oficina foi uma das principais áreas de estudo, onde atuaram sete técnicos – 1 geofísico, 2 geólogos, 2 geógrafos, 1 físico e 1 engenheira cartógrafa – incluindo equipes operacionais de emissão de alertas de emergência.

“Passamos por graves ocorrências e precisamos estar em constante aprimoramento de tecnologias que nos ajudem atuar de forma preventiva e minimizar os impactos dos desastres que as fortes chuvas causam na nossa cidade. Esse trabalho é de grande relevância para o município”, pontuou o prefeito Rubens Bomtempo.

Ao todo, de acordo com os registros da Defesa Civil, a cidade contabiliza mais de 7,8 mil ocorrências de escorregamentos de massa e bloco. Esses registros afetaram de forma generalizada, 277 áreas com demarcação de polígonos de risco, afetando em alguns pontos, de forma definitiva áreas habitadas no município. A partir do levantamento de dados, os técnicos do CEMADEN avaliam o modelo geológico da cidade para entender as causas que justifiquem a gravidade e volume das ocorrências.

“Esse é um estudo de suma importância para que possamos aprimorar os mecanismos de monitoramento para a cidade e assim, contar com mais suporte para as ações de prevenção aos desastres”, destacou o secretário de Defesa Civil, o Tenente Coronel Gil Kempers.

Com o levantamento geofísico, as equipes do CEMADEN terão condições de investigar os perfis do subsolo de áreas onde houve deslizamentos de grande porte, como no Alto da Serra. “É como se fizéssemos um raio-x em profundidade para a analisar o contraste do solo. Verificamos que a cidade tem áreas de massa (solo) mais superficial, sobreposta a rocha maciça, propícia a escorregamentos e áreas de maior profundidade, como no Morro da Oficina”, explica o pesquisador geólogo do CEMADEN, Marcio de Andrade, destacando que o trabalho conta com o apoio da FINEP.

De acordo com o técnico, em dois dias de trabalho, foi possível avaliar áreas onde houve movimento de massa mais superficial e outras de maior complexidade. No Morro da Oficina foram registrados pontos com movimento de massa em grandes proporções, chegando a atingir seis metros de profundidade. “Vamos interpretar os dados coletados para entender os desafios para fazer o monitoramento em lugares como esse e aprimorar nosso sistema de alerta”, acrescentou o geólogo do CEMADEN, que segue com a equipes em análise pela Região Serrana. Os técnicos, que se baseiam em São José do Campos, em São Paulo, também fazem o mesmo trabalho em Teresópolis.

Órgão mantém pluviômetros e estações geotécnicas para a alertas na cidade

Em Petrópolis, o trabalho das equipes do CEMADEN visa fortalecer a estrutura de monitoramento já existente. Atualmente a cidade conta com 31 pluviômetros instalados e monitorados pelo órgão, em todos os distritos – outros 19 pluviômetros são geridos pelo INEA.

O CEMADEN conta ainda com outras cinco Estações Geotécnicas instaladas nas localidades do Chácara Flora, Bingen, Quitandinha, São Sebastião e Dr. Thouzet fazem o monitoramento do impacto da infiltração da chuva no solo. Os equipamentos contribuem para o planejamento de ações de prevenção e resposta em caso de emergência, por conta de ocorrências causadas pelas fortes chuvas.

“Tendo em vista as recentes ocorrências se faz cada vez mais necessária a atualização de dados e novos estudos para o estabelecimento de novas metodologias de monitoramento, principalmente nas áreas afetadas com eventos de grandes proporções com os que tivemos. Nossas equipes estão à disposição para esse trabalho em conjunto para avançar na estrutura de monitoramento do município”, destacou a geógrafa da Defesa Civil, Eduarda Conde.

Equipes de colaboradores trabalham para limpar e organizar material resgatado após chuvas

A equipe que trabalha no salvamento e conservação do acervo da Biblioteca Municipal Gabriela Mistral tem descoberto peças valiosas deste importante equipamento do município. Mapas e livros históricos para o Brasil, incluindo relações com outros países, foram redescobertos no andar térreo, após as ações de limpeza emergenciais feitas devido às chuvas.

“O acervo da nossa biblioteca é riquíssimo. Após resgatarmos os materiais da inundação no andar térreo, estamos trabalhando na limpeza, conservação curativa e iniciando os trabalhos de restauração. Na reorganização do acervo, acabamos realizando descobertas que estavam fora do catálogo. Em breve, tudo isso estará novamente à disposição do público”, explicou a presidenta do Instituto Municipal de Cultura, Diana Iliescu.

A Biblioteca Gabriela Mistral é considerada a terceira maior e mais importante do Estado do Rio de Janeiro, com um acervo de 150 mil volumes. Boa parte destas obras não foi atingida, já que ficava nos andares mais altos. No entanto, 8 mil exemplares que ficavam no térreo foram impactados pela inundação, que chegou a 1,60 m de altura.

“Esse trabalho de resgate começou no dia 19 de fevereiro. É gratificante poder receber a ajuda de colaboradores que entenderam a importância da Biblioteca para a sociedade, e também as instituições parceiras, como Arquivo Nacional, o Museu Imperial, a Fiocruz, o Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região e a Aperj (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro), que estiveram presentes aqui dando apoio e contribuindo com orientações”, afirmou a gerente da Biblioteca, Lorena de Oliveira Cristiano, lembrando também de doações de instituições e voluntários.

Disputas de terra

Dentre os achados, foi encontrado um mapa do século XVIII, mais precisamente de 1757. À época, o Brasil ainda era colônia de Portugal. A cartografia traz informações sobre as movimentações da Coroa Portuguesa e da Espanha nas chamadas Guerras Guaraníticas, quando povos da etnia Guarani lutaram pelas terras próximas ao Rio Uruguai.

Essa e outras peças - como uma coleção de documentos que mostram a disputa entre Portugal e Inglaterra pela Guiana Inglesa - encantaram o historiador e professor universitário Felipe Monteiro, um dos colaboradores no trabalho de salvamento das obras.

“Soube da enchente e imaginei que o acervo geral tivesse sido atingido. O que me surpreendeu foi o acervo incomum que encontramos aqui para uma biblioteca municipal. Para mim, que sou historiador e já trabalhei com arquivos em vários lugares do país, foi surpreendente e muito gratificante poder salvar essas obras, algumas muito valiosas”, explicou.

Uma suspeita é que, tanto o mapa das Guerras Guaraníticas quanto a coleção da Guiana Inglesa, tenham sido em algum momento parte da propriedade do Barão do Rio Branco, que foi um importante diplomata brasileiro, com casa em Petrópolis. Mas ainda são necessárias investigações para descobrir corretamente a origem do material. Além dos materiais citados, já foram encontradas outras obras, como um mapa do Continente Europeu em alemão.

Trabalhos continuam

Em uma sala reservada, as equipes limpam e secam os livros, com cuidados como luvas e máscaras, já que algumas obras foram contaminadas por agentes biológicos, como fungos. Assim como o historiador, outros apaixonados pela biblioteca se colocaram à disposição para ajudar.

“Me coloquei à disposição com a minha experiência, pois isso é um patrimônio da cidade e da história do nosso país. Muitas pessoas precisam dessa biblioteca para estudo. É um grande prazer estar aqui fazendo esse trabalho”, afirmou o conservador de documentos Maurício Mendonça, que tem ampla experiência em cultura e preservação de patrimônio.

A importância da Biblioteca também ultrapassa gerações. Desde que foi fundada, em 1871, tem servido de fonte de pesquisa a diversos estudantes. Foi o caso da tecnóloga em papel e tela, Margarete Mattos, que também atua na força-tarefa. “Vim imediatamente, pois eu e minha filha utilizamos a biblioteca. Foi imediata minha adesão”, disse.

A Horta Medicinal do Projeto Cultivando Vidas, criada há três anos pelo Posto de Saúde da Família (PSF) da Estrada da Saudade, com o apoio da Unifase e Fiocruz, está ganhando a adesão da comunidade. Já são 29 tipos de plantas cultivadas e colhidas pelas agentes comunitárias de saúde da unidade e distribuídas nas consultas de enfermagem.

“A equipe já tem um histórico de projetos que relacionam o Meio Ambiente e a Saúde. Ações como essa acolhem e aproximam a comunidade ao poder público e a políticas públicas de saúde. O engajamento dos agentes comunitários, que têm um contato mais direto com a população local, facilita o desenvolvimento dessas ações”, disse o prefeito Rubens Bomtempo.

O projeto, de acordo com o secretário de Saúde Marcus Curvelo, foi idealizado e colocado em prática pela médica Lucille Carpiens e a enfermeira Anna Beatriz Artigues. “Elas possuem, respectivamente, formação e conhecimentos em fitoterapia e naturopatia. As mudas colocadas em vasos de garrafa pet do projeto ‘Era Lixo Virou Luxo’ são distribuídas na consulta de enfermagem”, conta Curvelo. As agentes comunitárias Zélia de Jesus e Sueli Meira, também possuem curso de capacitação sobre plantações sem agrotóxicos pela Fiocruz.

O projeto também tem a participação dos pacientes da unidade que trazem as mudas que possuem em casa. “Assim, o saber popular é valorizado na consulta facilitando o vínculo e a adesão ao tratamento proposto pela equipe. Os pacientes se sentem ativos no seu tratamento e cura, e entendem o posto como um cenário de promoção da saúde, valorização do território, integralidade da saúde e vinculo”, explica a enfermeira Anna Beatriz Artigues. Segundo ela, melhoras em diagnóstico como ansiedade, risco de suicídio, depressão e dores crônicas, por exemplo, já estão sendo observadas, assim como a adesão ao tratamento e maior frequência nas consultas.

A produção ainda é pequena, no entanto, a variedade de espécies cresce a cada dia. “Isso porque, os pacientes adoraram a ideia, se envolveram no projeto e agora alguns também trazem mudas das plantas que possuem em casa para enriquecer ainda mais a nossa horta medicinal. Hoje não procuram o posto só quando estão sentindo algo, pois encontraram no espaço, um local de fazer saúde”, completa Anna Beatriz.

Com o objetivo de facilitar o acesso dos servidores públicos municipais e prestadores de serviços da Prefeitura, a partir de segunda-feira (16) todo o Protocolo Geral da Secretaria de Saúde estará em novo endereço. O setor passará a funcionar na Rua Montecaseros, número 576, no Centro.

Até esta sexta-feira (13), os atendimentos aos funcionários aconteciam no prédio do Centro Administrativo, na Avenida Barão do Rio Branco, enquanto os prestadores de serviços precisavam se dirigir à Avenida Dom Pedro I, onde funcionava provisoriamente no espaço da Saúde do Trabalhador.

As mudanças foram necessárias por conta das chuvas do dia 15 de fevereiro e que causaram alagamentos no primeiro andar do Centro Administrativo da Prefeitura, na Avenida Barão do Rio Branco. “Queremos garantir facilidade no acesso tanto dos servidores, quanto dos nossos prestadores. Neste novo ponto, todos poderão ser atendidos com mais agilidade. Além disso, a medida vai gerar mais efetividade ao serviço público, celeridade no atendimento”, destaca o secretário de Saúde, Marcus Curvelo.