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Sexta, 26 Novembro 2021 - 10:57

Escolas da rede municipal começam a distribuir absorventes dentro do programa de combate à pobreza menstrual

Escolas da rede municipal começam a distribuir absorventes dentro do programa de combate à pobreza menstrual

Duas escolas – Maria Campos e Abelardo de Lamare – já começaram a distribuição

Duas escolas da rede municipal de Petrópolis – Maria Campos, no Centro e Abelardo de Lamare, no Caxambu – já começaram a distribuição, gratuitamente, dos absorventes dentro do programa de combate à pobreza menstrual. O projeto vai atender cerca de 11 mil alunas do município e é desenvolvido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação.

A lei que instituiu o programa de distribuição de absorventes foi sancionada pelo governo interino, depois da aprovação do texto pela Câmara Municipal. “Todos os profissionais da escola, a família e alunos vão formar uma rede de apoio e acolhimento a essas meninas que não tem condições de adquirir os absorventes. A ONU estima que uma em cada quatro brasileiras já faltou à escola por não ter condições financeiras de comprar absorventes íntimos. Isso é uma realidade que queremos mudar em Petrópolis”, disse o governo interino. O projeto é de autoria dos vereadores Yuri Moura e Maurinho Branco.

Cerca de 106 unidades da rede municipal de ensino estarão distribuindo os absorventes para alunas acima de nove anos de idade. Cada escola recebeu um repasse da Secretaria de Educação para a compra dos itens. As unidades também receberam cartilhas com os protocolos e regras que devem ser seguidos. “É um projeto que vai além da distribuição dos absorventes. É uma iniciativa de escuta e acolhimento dessas alunas”, ressaltou o secretário de Educação.

Além da distribuição dos itens higiênicos, o programa também prevê a realização de palestras e ações de orientação para as alunas, alunos e toda a comunidade escolar. O objetivo é desmistificar o período menstrual (considerado um tabu) e mostrar para as meninas que esse momento é natural e normal, e não pode ser motivo de vergonha.

“Escolhemos a orientadora da escola para falar e atender essas alunas. É um programa que as meninas estão antenadas e querem participar, falar e construir juntas”, comentou a diretora da Escola Municipal Maria Campos. De acordo com o programa, cada unidade destina um profissional para fazer o atendimento das alunas, com o trabalho de escuta e sensibilização.

Para a estudante Letícia Gomes Monteiro, de 15 anos, projetos como este deveriam acontecer em todas as cidades. “Seria ótimo se todas as cidades distribuíssem os absorventes para as meninas, sabemos que muitas faltam aula por não terem dinheiro para comprar”, disse. Para outra aluna, Izabelle de Oliveira Guimarães, também com 15 anos, é importante essa participação da escola. “A gente não escolhe e fala: hoje vou menstruar. Não temos escolha sobre isso, é algo natural de toda mulher”, comentou.

Pesquisas revelam que meninas e mulheres chegam a usar pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão em substituição ao absorvente. Ainda existem casos daquelas que não conseguem realizar de três a seis trocas diárias de absorventes, conforme a indicação de ginecologistas, permanecendo com o mesmo absorvente por muitas horas. Como consequência desse insuficiente ou inadequado manejo da menstruação podem ocorrer diversos problemas à saúde como infecções, por exemplo, além do constrangimento e outras situações.


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