Segunda, 09 Agosto 2021 - 16:48

Em um ano, Sala Lilás atendeu mais de 600 pessoas

Em um ano, Sala Lilás atendeu mais de 600 pessoas


Especializada no serviço de atendimento a mulheres e do enfrentamento à violência, a Sala Lilás completou um ano do início das atividades em junho de 2021. Nesse período, mais de 600 pessoas foram atendidas, vítimas de algum tipo de violência. A equipe da unidade recebe mulheres, crianças e população LGBTQIA+ que estão em alguma situação de violência. No local, as denúncias mais recorrentes são as que têm relação com agressão física, em próprio domicílio e de forma repetida.

A Sala Lilás funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia. A equipe conta com enfermeiras, assistente social, psicóloga e técnicas de enfermagem. No Rio de Janeiro, a de Petrópolis foi a terceira do Estado a ser criada. Ela é um espaço criado para prestar atendimento especializado e humanizado por uma equipe multidisciplinar capacitada. Ela funciona em parceria com o Posto Regional de Polícia Técnica e Científica (PRPTC), na entrada do Hospital Alcides Carneiro (HAC), no bairro Corrêas.

“O objetivo do atendimento na Sala Lilás é acolher esses pacientes que passaram por uma situação delicada. Queremos que essas pessoas entrem em nossa rede de saúde e tenham o acompanhamento contínuo em nosso sistema de saúde. Junto com a Secretaria de Saúde e de Assistência Social, estão o Gabinete da Cidadania, CRAM, Ministério público, Tribunal de Justiça, Conselho Tutelar. São muitas forças unidas”, diz o governo interino.

O público que chega até o local sofreu algum tipo de violência e realizou o Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia. Em seguida as pessoas são encaminhadas para o exame de corpo de delito, que é realizado na Sala Lilás. A equipe da unidade ajuda no procedimento de perícia com mulheres, crianças e população LGBTQIA+, fazendo o atendimento deforma acolhedora e humanizada. A partir daí, os pacientes são encaminhados de acordo com a necessidade de atendimento. É o que explica o secretário de Saúde.

“Quem sofre violência física é encaminhada para urgência no Hospital Alcides Carneiro e nas UPAs. As pessoas que sofrem violência doméstica são direcionadas para o Centro de Referência em Atendimento a Mulher – o CRAM. Queremos que os pacientes sejam atendidos e sejam acompanhados e amparados de todas as formas”.
A enfermeira da Sala Lilás, Jessica Paim, alerta para os sinais e tipos de violência: “Existem diferentes tipos de violência. Física, psicológica, patrimonial e sexual são as principais formas. Existem diversos sinais que podem ser notados, ainda mais se acontecem de forma repetida. A pessoa ser impedida de gastar o próprio dinheiro é uma violência. Muitas vezes começa com essa violência psicológica e pode acabar com feminicídio”.

A assistente social, Camila Vecchi, também atende na unidade. Ela alerta para os cuidados com o público que a Sala recebe: “Muitas das pessoas que chegam até aqui, se sentem culpadas. Isso é uma coisa estrutural que advém uma história da sociedade que se construiu dessa forma. Buscamos colaborar com o apoio para que esse paciente se sinta acolhida, se sinta bem e tenha os meios para que ela consiga romper com esse ciclo. Nossa missão também é deixar claro que as pessoas podem buscar ajudar, mantendo o sigilo”.

Números de atendimentos

No total foram 607 atendimentos em um ano de atuação da Sala Lilás. O ciclo de vida mais atendido foi o de pessoas adultas, entre 25 e 59 anos, com 335 pessoas ajudadas. Adolescentes, dos 10 aos 19 anos, foram atendidas 110 vezes. Jovens com idade entre 20 e 24 anos, somam 82 atendimentos. Cerca de 58 crianças, de 0 a 9 anos, foram recebidas e pessoas idosas com 60 anos, somam 15 acolhimentos.

Os cinco tipos de violência mais encontrados foram: Física (437), psicológica/moral (381), patrimonial (68), sexual (66) e negligência/abandono (16). A residência foi o local onde mais foram perpetradas situações de violência, com 441 casos ao todo. Também foram identificados violência em via pública, somando 106 casos, e em comércios, em 18 vezes.

Ao todo, em 318 ocasiões a coação não aconteceu pela primeira vez, sendo caracterizados como violências de repetição. Alocados entre os cinco distritos de Petrópolis, a maioria das pessoas atendidas eram da região do Centro da cidade, com 329 acolhimentos. Cascatinha vem em seguida com 147 atendimentos.

Aumento do número de atendimentos do CRAM

O Centro de Referência em Atendimento a Mulher (CRAM) registrou um aumento de mais de 700% no número de atendimentos realizados no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2020. A alta no número de pessoas atendidas também está atrelada à chegada da Sala Lilás, já que as mulheres em situação de violência doméstica foram encaminhadas para o CRAM.

A enfermeira da Sala Lilás, Jessica Paem, explica que faz questão de explicar para todas as mulheres como é o atendimento do CRAM: “Fazemos questão de explicar e incentivar a ida das mulheres para o CRAM. Não é só entregar um papel. Tem que fazer sentido para elas. O CRAM conta com serviços de psicólogos, assistente social e advogados, que são muito úteis para essas mulheres”.

Até junho de 2020, o Centro de Referência realizou 81 atendimentos, enquanto entre os meses de janeiro e junho deste ano, 711 mulheres procuraram o órgão por meio de alguma das modalidades oferecidas. O CRAM também conta com o Ônibus Lilás que consegue chegar às comunidades mais distantes.

No CRAM, as mulheres vítimas de violência obtêm atendimento e acompanhamento psicológico, social e jurídico realizado por uma equipe multidisciplinar, auxilio na obtenção do apoio jurídico necessário a cada caso específico, orientação sobre os diferentes serviços disponíveis relacionados à prevenção, apoio e assistência às mulheres em situação de violência.

O Centro de Referência em Atendimento a Mulher fica localizado na Rua Santos Dumont, no prédio anexo ao Centro de Saúde. Os atendimentos podem ser realizados ainda através do telefone (24) 98839-7387, que também funciona como whatsapp.

Denúncias

A assistente social Camila, fala da necessidade de denúncias serem feitas: “Denúncias de algum tipo de violência podem ser feitas de forma anônima. Não precisa ser comprovada. A simples suspeita já é suficiente para abertura de uma investigação. Quando a pessoa for buscar ajuda, há pode ser tarde e pode não dar tempo”. Ela conclui com o apelo: “Vizinhos, professores ou amigos que constatarem alguma situação de violência, denunciem”.

Denúncias e atendimentos de situações de violência podem ser feitas pelos contatos:

Central de Atendimento à Mulher: 180
Polícia Militar: 190
Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) da 105ª Delegacia de Polícia: (24) 2248-7808
Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) da 106ª Delegacia de Polícia: (24) 2222-7094
Patrulha da Maria da Penha: (24) 99229-2439 (WhatsApp)
Sala Lilás: (24) 2246-8452
CRAM: (24) 2243-6152
CRAM Emergência: (24) 98839-7387